LGBT - Ana Cristina Carmona31/3/2012    Ana Cristina Carmona, residente na Rua Araguaia, Bairro da Paz, em Parauapebas, líder do movimento de LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Travestis) e do Instituto Abrace a Diversidade, diz à reportagem do CORREIO DO TOCANTINS que a disponibilização de banheiros exclusivos em boates e outros locais destinados à categoria é uma ofensa à classe de homoafetivos.
Em sua avaliação, mesmo que ela admita ser lésbica, ela não usaria um banheiro que tivesse na porta a inscrição LGBT, “porque eu sou mulher, independentemente de minha opção sexual. Da mesma forma é um gay não assumido”.
O problema surgiu em Parauapebas porque algumas mulheres heterossexuais vêm reclamando a presença de homossexuais usando as toaletes femininas em bares, restaurantes e casas noturnas, situação que viria provocando constrangimentos às mulheres.
LGBT - Banheiro GLBTTTalvez pensando em resolver este problema, o dono de uma boate em Parauapebas construiu banheiros destinados a mulheres, homens e LGBT, mas Cristina Carmona discorda da iniciativa, por considerá-la discriminativa, uma forma de exclusão.
A líder do movimento pró-homoafetivo lembra que em alguns grandes centros do país casas noturnas criaram banheiros para homens, mulheres e LGBT, mas essa ação foi recusada pela categoria, “pois é uma discriminação, e agora inventaram isso em Parauapebas”, reclama.
Com relação aos travestis, Cristina Carmona diz que, por lei, eles podem e devem usar o banheiro feminino, porque a orientação sexual deles é feminina, e por isso seriam constrangidos e até humilhados se usassem o banheiro destinado aos homens.
“As mulheres têm que entender que eles estão vestidos com trajes femininos, pensam e agem como mulher e suas orientações sexuais são femininas”, justifica Carmona, acrescentando que dia desses numa casa noturna do Bairro da Paz um travesti amigo dela foi agredido fisicamente por um segurança do estabelecimento por ter usado o banheiro feminino.
Indagada pela reportagem sobre a quantidade de lésbicas, gays, bissexuais e travestis existentes em Parauapebas, Ana Cristina Carmona informou que a cidade conta com cerca de mil pessoas publicamente assumidas.
Na opinião da comerciante Vanete Pereira, mulher homossexual deve usar o banheiro masculino, enquanto o homossexual masculino deve utilizar o espaço destinado às mulheres, “porque o que está em questão é a natureza humana”, completa.
“Eu mesma já presenciei travesti usando o banheiro junto comigo, mas nenhum deles me desrespeitou, exibindo a genitália, até porque eles mijam agachados, igual a nós, mulheres”, conta Vanete Pereira.
LGBT - DJ LobatoOuvido pela reportagem, Antônio Carlos Lobato Medeiros, o popular “DJ Lobato”, da boate Pirâmide, ratifica que a casa noturna construiu uma toalete exclusiva para GLBTT (Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais), mas garante que o espaço é opcional, usa quem se enquadrar na categoria.
“Nos três anos de existência de nossa boate, sempre fomos elogiados em poder proporcionar um espaço privado para quem quiser usá-lo, mas se alguém ou algum movimento ou entidade se sentir ofendido, estamos abertos ao diálogo para reverter a situação”, frisou o DJ Lobato, dizendo-se surpreso com a reação da líder do movimento pró-homoafetivo.
Reportagem e fotos: Ronaldo Modesto;
Redação: Waldyr Silva.